Mercado de impressão 3D começa a crescer no Brasil

Poder criar modelos de brinquedos, móveis, bijouterias, sapatos e até órgãos a partir de um desenho em três dimensões não é mais algo tão impossível assim. As impressoras e o mercado de impressão 3D já começam a ganhar força no Brasil, e ter uma máquina dessas em casa pode ser possível em um futuro próximo.
As impressoras 3D já são utilizadas em larga escala em países como Estados Unidos e Japão, onde elas são responsáveis por produzir desde soluções para a medicina até produtos bizarros como, por exemplo, uma miniatura do feto no útero de sua mãe.
O mercado brasileiro começa a perceber e entender as inúmeras possibilidades da impressão 3D para a criação de produtos inovadores e cheios de criatividade, porém, este setor ainda precisa se popularizar no país. “A impressora 3D é muito flexível, capaz de ser utilizada em diversos setores da economia e mercados. Costumamos dizer que a principal virtude da impressora 3D é sua capacidade de personalização, que permite que as pessoas imprimam qualquer coisa em três dimensões”, afirma Luiz Fernando Dompieri, diretor da Robtec, primeira produtora de impressoras 3D da América Latina.

Atualmente, o serviço de impressão é muito utilizado em grandes empresas como, por exemplo, em montadoras, onde o sistema ajuda na criação de protótipos. Outro setor que já descobriu a impressão 3D é o do design e da arquitetura, que utiliza o serviço para transformar desenhos em peças de verdade.
“A impressão 3D ainda não conquistou muito espaço no Brasil, mas acredito que no futuro ela poderá se firmar no mercado. Principalmente, porque nós somos um povo muito criativo que adora novidades”, relata Vinícius Dourado, gerente da Imprima 3D.
A fabricação de peças com esse tipo de impressora é considerada muito simples e dinâmica. O desenho do projeto é feito em um software 3D e salvo no formato adequado em um pen drive comum. Logo em seguida, o pen drive é acoplado à impressora, que possui um software de leitura que reconhece o projeto, e a impressão começa.
Um filamento de ABS, um tipo de plástico, é aquecido a altas temperaturas por um bico injetor e, depois de derretido, o material é depositado em camadas pela máquina, formando assim as peças. A utilização de molde não é necessária com esse tipo de equipamento, o que ajuda a baratear o serviço.
Para ter uma ideia, o tempo gasto em média para a impressora produzir uma peça em três dimensões de cinco centímetros de altura é de 25 minutos. Os valores da impressão variam com base no tamanho da peça e no material utilizado. Por exemplo, um anel, com um pouco mais de dois centímetros de altura, pode sair por aproximadamente R$ 2,86, enquanto um objeto com 8x8x7,9cm pode chegar a R$ 442,53.

“Um dos principais custos com a impressão 3D no país é a matéria-prima. Nós utilizamos resinas importadas, então o processo de manufatura fica mais caro”, afirma Dourado.
Os tipos de resinas utilizados variam de acordo com o tipo da impressora, ou seja, cada máquina é responsável por produzir uma determinada peça e com um material específico. A Imprima 3D trabalha hoje com sete tipos de máquinas, número este que pode vir a aumentar nos próximos anos.
“A resina possui um custo razoável, mas acredito que a tendência é que esse custo diminua. Quanto maior for a procura pelo material e sua utilização, mais barato ele deve ficar”, acredita Dompieri.
Empresas como a Imprima 3D, que atua no mercado brasileiro há um ano, oferecem serviço de impressão em três dimensões e recebem todos os dias muitos projetos inusitados. Além disso, os usuários também podem disponibilizar seus projetos para venda no site da empresa e conseguir de 5% a 10% de lucro com a venda de cada peça.

Os empresários e especialistas do setor estão muito confiantes em relação ao futuro da tecnologia no Brasil e sua popularização. “No futuro, acredito que as impressoras 3D irão se popularizar tanto que as pessoas terão um modelo em casa ou no trabalho – assim como aconteceu com as multifuncionais, que antes eram caras e encontradas apenas em grandes empresas. Agora, qualquer pessoa pode ter uma em casa”, nos relata Vinícius Dourado.

Além dessa possibilidade, acredita-se que as impressoras receberão melhorias em sua resolução e acabamento nos próximos anos para atender as futuras demandas. Dompieri também ressalta que outro aspecto que deverá ser aprimorado é a utilização de outros materiais e suas aplicações.

“Poderemos utilizar materiais produzidos a partir de células humanas, que podem criar próteses e até órgãos, e serem implantados no corpo humano sem risco de rejeição”, ressalta o diretor da Robtec.

Fonte: canaltech

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